O trauma mor....
- Simon Jaques & Blue

- 2 de nov. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: há 7 horas

Nesta fase, onde eu nem entendia o que significava o que era bichinha, viadinho, mas entendia que meus irmãos estavam me ofendendo. Eles poderiam me chamar de madeira, trem de ferro, caviar que eu me sentiria ofendido, pois era o propósito deles e o meu entendimento.
Um dia, chego em casa e minha “amada” mãe está estranha, não me olhava nos olhos e estava com uma cara que me dava medo. Perguntei a ela o que estava acontecendo, mas ela só me responde: “Você saberá quando seu pai chegar”, então ela vira de costas e continua a arrumar o guarda-roupa. Eu achei um pouco estranho, mas como toda criança voltei a brincar.
Quando meu pai chegou do trabalho, vejo os dois conversando no quarto, eu sentado no sofá vendo televisão e de repente, meu pai tira o sinto dele e avança em minha direção. Começa a me bater e a berrar: “Eu não vou ter um filho viadinho, eu te mato antes” e enquanto ele me batia e o sangue escorria em meu corpo, só me passava um pensamento: O que eu fiz para estar sendo espancado daquela forma??? Este processo demorou uns 15 mim quando ele cansou, ele parou e saiu para a rua. Eu fui até o quarto onde minha mãe continuava a arrumar o guarda-roupa, sentei no chão ao seu lado (pois ela estava arrumando as gavetas de baixo) e pedi desculpas a ela, mesmo sem saber o que havia acontecido. Porém ela nem se dignou a me olhar, continuou olhando para as roupas e dobrando-as.
Enquanto eu limpava o sangue em meu corpo, comecei a analisar e procurar onde e o que eu havia feito. Até que minha progenitora veio me ajudar para que eu não tivesse uma crise de bronquite e ela tivesse que cuidar de mim a noite inteira. É quando ela resolve me contar que a Vó Preta, uma senhora que morava três casas à nossa direita, viu eu e o Carlinhos (uma dos meus amiguinhos da rua) esfregando na bundo do neto dela que tinha deficiência mental. Imediatamente, voltei e procurei esta cena. O que eu me lembrei que na parte da tarde, estávamos jogando bola e este menino com deficiência estava nos atrapalhando e tirávamos ele do nosso campinho, abraçando ele por trás e o levando para fora. Em um determinado tempo, notamos que nossos pintos ficaram duros e achamos bem engraçado. E eu nunca imaginei que esta observação do meu corpo fosse causar tantas chagas em mim e em minha alma que não curariam tão cedo.
Após este episódio, eu matei o meu pai emocionalmente, não me lembro dele até os 14 anos quando mudamos de casa. De alguma forma, eu passei a ser o homem que minha mãe sonhou para ela e passei a não ter pai, nem mãe, nem irmãos, eu enterrei todos em meu cemitério de emoções e desejos. Eu não precisava mais deles para ser feliz, realizado, triste, decepcionado, eu não estava sentindo nada. Eu era o que os outros queriam, então passei a prestar atenção no que o outro queria de mim e passava a replicar estes movimentos. Sempre, sempre, sempre, mas às vezes, eu me traia e ressuscitava estas figuras emocionais, mas a realidade me fazia recuar e fechar a sepultura de todos. Eu só tinha 7 anos, só 7 anos.....Agora aos 47, tudo isto volta com força total e de uma forma insuportavelmente dolorosa e transformadora. Mas isto é uma outra história!!!
Com Re-Amor, Simon!!





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