A retomada da consciência da auto-imagem - Part #6 (Aprendizado com o Novo Mundo)
- Simon Jaques & Blue

- 9 de nov. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 horas

Depois do meu primeiro encontro com o John, meu mundo começou a ter mais cor, mais vida, eu conseguia sentir o pulsar da vida em minha pele. Mas nem tudo é tão simples e fácil assim, certo? Mas os astros estavam do nosso lado, tive uma série de compromissos que me ocupava a semana e final de semana inteiro e minha família, nas sexta-feira, foi para nossa casa de campo como de costume. Eu tive dois finais de semana, seguidos com o John, dado esta de desculpa real. E apesar de nossos horários confusos e desencontrados, conseguimos nos encontrar várias vezes nestas duas semanas. E a cada encontro minha sensação de liberdade, certeza e determinação em minha nova vida ficava ainda mais evidente e eminente.
Com o passar dos dias, nossos encontros começaram a ficar mais raros, devido às minhas obrigações familiares de homem gay casado com mulher, eu não consegui abrir brechas para encontra-lo. Sem contar que John tinha uma vida muito confusa para alguém solteiro, mas meu objetivo nesta relação não era entender a vida dele, mas sim compreender minha vida neste contexto gay e John era um condutor neste processo. Mesmo sendo o lado livre, ele sempre deixou bem claro quando não podia abrir mão de seus compromissos ou da falta de vontade de sair, já quando podia ainda rolava um certo stress de horário e local...Coisas de casal!!
Meus encontros com o John se tornaram uma universidade de vida para mim. Eu aprendia muito, reafirmava e incorporava muitos conceitos sobre ser gay, mas o melhor de tudo, foi ele me mostrar quem eu realmente estava sendo. Ele teve o dom de me desmascarar, me mostrando a total falta de humildade que eu disfarçava de irritabilidade esporádica. Foi neste ponto, eu percebi o que o Antônio me falava que eu sou uma pessoa amorosa que teve que se represar para não dar bandeira que era o “viadinho”. Que meu pai me proibiu de ser. Eu me via como um super ser humano legal, mas por traz deste, tinha um monstro que explodia e causava danos gigantescos na família e em si mesmo.
A experiencia com o John me ensina muito e me mostra alguns defeitos muito graves meus que até então, eu culpava o transtorno de humor. O John sempre foi muito honesto em me falar da sua visão sobre minha pessoa e quando ele me falava, eu conseguia ver e entender com mais facilidade o que estava de errado e o que deveria ser consertado. Apesar da pouca idade, este rapaz já tinha vivido experiencias que para mim são totalmente novas e desconhecidas. Eu não sei ser gay. Mas o que é ser gay? Tenho que mudar meu estilo de música? Tenho que mudar meu jeito de andar? Tenho que frequentar locais exclusivamente para gays? Minhas roupas serão diferentes? Esta semana na terapia com Antônio, eu me fiz estes questionamentos e chegamos à conclusão que eu já sou gay, com minhas músicas, minhas roupas, meu andar, tudo meu. O que eu ainda não tenho, em termos, é uma vida sem segredos ou medos. Eu estou construindo este caminho para que minha revelação não seja um furo de reportagem, mas uma notificação de parte da minha vida, não do todo!!
Esta semana, o John me pediu um tempo. E supreendentemente, eu não me surpreendi e nem sofri. Pela primeira vez, eu respeitei o meu desejo que até então não havia deixado claro para mim. Apesar de toda a química com o John, eu nunca o imaginei no lugar de meu marido. Eu sempre tive dificuldade em vê-lo como meu companheiro que seria apresentado à sociedade, não por ele, mas por certas características que me incomodam e eu tenho muita dificuldade em aceitar. Uma pena, pois entre 4 paredes, ele é a pessoa ideal, com tudo que eu preciso para ser feliz. Mas quando nos coloco em sociedade, fico desconfortável. Este pedido de tempo do John me mostrou que ainda preciso lidar com os meus desejos de forma mais clara e tranquila. Mas como tudo, eu estou re-aprendendo, re-educando, re-construindo e re-amando.....
Com Re-amor, Simon





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