A retomada da consciência da auto-imagem - Part #4 (Resposta ao Tempo)
- Simon Jaques & Blue

- 7 de nov. de 2018
- 4 min de leitura
Atualizado: há 6 horas

Com a minha “saída” do armário, sim não posso dizer que escancarei as portas e sai dançando na chuva.....pois ainda estou casado e sem a menor condição de me sustentar sozinho para terminar tudo e viver minha nova fase. Só abri uma frestinha no meu armário, mas que me permite ver o mudo que me aguarda do lado de fora, com muitos víeis e sombras, porém já tenho uma certa ideia do que será minha vida até o final dos tempos.
Com o passar dos dias, eu comecei a notar que meu andar estava diferente, mais confiante, mais leve, mais gostoso de andar. Esta sensação de liberdade, mesmo que restritiva, me fez ver mais cor no mundo e na possibilidade de vida presente. Pude notar que sempre, só os homens me chamavam a atenção, me faziam dar aquela olhadinha para trás. Mas que eu sempre tive que me policiar para não dar bandeira.
Este policiamento constante, me fez adquirir alguns comportamentos de defesa, tais como, não ter paciência com perguntas, principalmente, as idiotas. Ser bem intolerante, mas tudo com muito humor e sarcasmo que agradavam ao público e não me colocava em uma posição de insuportável... E durante minha terapia, eu comecei a notar que o Simon que eu vivia não tinha nada haver com o Simon que eu enxergava em mim. Eram totalmente opostos. O Antônio sempre me dizia: Vou me dar a ousadia de lhe dizer que você é uma pessoa muito afetiva, amorosa, mas que não permite que esta pessoa aflore dada a rigidez em seus conceitos de vida (era mais ou menos isto). Então comecei a observar como as pessoas me viam. E elas não deixaram dúvidas: eu era (ou sou) um Bruto Legal, mas um “Bruto”!!!
Então eu te pergunto, onde foi que minha vida tomou este rumo???? E eu mesmo lhe respondo: Foi naquela surra, naquela agressão dos meus pais!! Ali, eu decidi que não seria “viado” e para isto, incorporei em meu temperamento tudo que era oposto ao meu conceito de “viado”. A falta de paciência, brutalidade, apatia com o problema do outro, mas ao mesmo tempo, eu notava que certa sensibilidade, reciprocidade, racionalidade com o outro, principalmente, mulheres me tornavam um HOMEM super atraente e bom partido. Muito observando as necessidades afetivas da minha mãe e me tornando o homem que ela sonhava. Mas isto, será um outro post....
Após me assumir, veja bem, me assumir e não me aceitar, como gay, eu pude redescobrir este Simon que estava dormindo (que acordava às vezes, mas logo eu o punha a dormir novamente) e ver que eu posso ser amoroso, eu posso ter empatia, eu posso ter sentimentos não racionais e racionais, eu posso viver sem guaritas e muros. Mas quando se vive muitos anos refém do seu sequestrador, você passa a ter uma relação afetiva com ele e passa a achar que é normal as barbáries que ele te faz para te manter sobre controle.
Agora estou tentando conciliar estes dois seres que coexistem em mim e tentando extrair o melhor de cada uma. Mas é uma luta desleal e insana, pois como definir e permitir viver o melhor se a vida é cheia de sobressaltos e imprevistos? A racionalidade do Simon Bruto me é muito útil para as coisas práticas, mas a amorosidade do Simon Afetivo me deixa a vida com o outro mais leve e habitável. Às vezes, fica fácil deixar o Simon Afetivo no comando, ele nasceu para isto. Mas o Simon Bruto não espera convite para assumir o comando e mostrar quem manda na “bagaça”. O problema é que quando isto acontece sempre sobra uma ressaca moral depois. Sendo assim, tenho que aprender que o Simon Afetivo deve dominar uns 89%, o restante fica para o racional do Bruto, sem brutalidade quando possível.
Toda esta ficha caiu com uma música do Djavan que se chama “Vive”. Com ela, eu pude perceber o quanto viver desta maneira aprisionado estava me fazendo mal. Ela diz: “Desencana meu amor, Tudo seu é muita dor! Vive...” quase tudo na vida me doía, viver sempre foi um peso para mim. Mesmo quando eu conseguia transar com homens – um dos poucos prazeres que fazia sem culpa, não me bastava para aliviar a dor de viver. Eu queria sempre mais e mais, mas cada envolvimento sexual com homens, eu aumentava a altura do meu muro de proteção contra o Simon “Viadinho” e me protegia ainda mais e cada vez mais peso eu carregava para simplesmente, viver.
Hoje estou tentando controlar a minha ansiedade (que eu sempre tive em minha vida, outro peso que dificultava o meu viver) que está se transformando em um fardo, mas não vou carregar mais nada desnecessário na minha vida. “É inútil chorar! Noites enveredar! Ruir por nada... Desinflama meu amor, Do seu jeito é muita dor! Vive...Deixa o tempo resolver, Se tiver que acontecer, Vive.”. Esta lição eu tenho que incorporar, viver, respirar, conscientizar, inalar, transpirar todos os dias da minha vida....Vive, deixa o tempo resolver....Eu nunca confiei no tempo, mas ele sempre resolveu os meus problemas, eu só não dava os créditos a ele. Antônio sempre me diz isto, mas só dei ouvidos ao Djavan...rsrs Desculpa, Antônio!!!
Com Re-amor, Simon!!





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