A reconstrução da Criança até o Eu - Part #01 (Criança, Monstros e Eu)
- Simon Jaques & Blue

- 18 de mar. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: há 3 horas

Bom dia Jão, eu adoro suas músicas (a maioria), mas tem uma em particular que está transformando minha vida, a música Monstros. Esta música, do começo ao fim, fala de mim e da minha construção como ser humano adulto.
Eu sou Simon (codinome) e escrevo em meu blogo: simonjaquesblue.com como forma terapêutica e indicação do meu psicólogo. Uso o codinome, pois assim posso relatar minhas experiencias com tranquilidade e sem comprometer minha família. Sou casado, tenho dois filhos e estou em processo de reconstrução profissional.
Quando eu ouvi sua música pela primeira vez, senti um certo incomodo e até achei esquisita. Mas como me incomodou, voltei a ouvir para descobrir que pedaço da música estava me irritando. Ouvi mais uma vez e outra e outra e outra, até ter o conhecimento do total alcance desta música no meu inconsciente. Foi então que eu identifiquei três blocos da música que impressionantemente relatavam a minha vida do começo ao fim, melhor do atual ao começo.
Quando eu tinha uns 6 a 7 anos, onde eu nem entendia o que significava o que era bichinha, viadinho, mas entendia que meus irmãos estavam me ofendendo. Eles poderiam me chamar de madeira, trem de ferro, caviar que eu me sentiria ofendido, pois era o propósito deles e o meu entendimento.
Um dia, chego em casa e minha “amada” mãe está estranha, não me olhava nos olhos e estava com uma cara que me dava medo. Perguntei a ela o que estava acontecendo, mas ela só me responde: “Você saberá quando seu pai chegar”, então ela vira de costas e continua a arrumar o guarda-roupa. Eu achei um pouco estranho, mas como toda criança voltei a brincar.
Quando meu pai chegou do trabalho, vejo os dois conversando no quarto, eu sentado no sofá vendo televisão e de repente, meu pai tira o sinto dele e avança em minha direção. Começa a me bater e a berrar: “Eu não vou ter um filho bicha, eu te mato antes” e enquanto ele me batia e o sangue escorria em meu corpo, só me passava um pensamento: O que eu fiz para estar sendo espancado daquela forma??? Este processo demorou uns 15 mim quando ele cansou, parou de me espancar e saiu para a rua.
Eu fui até o quarto onde minha mãe continuava a arrumar o guarda-roupa sentei no chão ao seu lado (pois ela estava arrumando as gavetas de baixo) e pedi desculpas a ela, mesmo sem saber o que havia acontecido. Porém ela nem se dignou a me olhar, continuou olhando para as roupas e dobrando-as.
Enquanto eu limpava o sangue em meu corpo, comecei a analisar e procurar onde e o que eu havia feito. Até que minha progenitora veio me ajudar para que eu não tivesse uma crise de bronquite (pois sou asmático) e ela tivesse que cuidar de mim a noite inteira, resolveu me contar o motivo que me levou à este episódio pavoroso. A Vó Preta, uma senhora que morava três casas à nossa direita, viu eu e meus amiguinhos da rua esfregando na bunda do neto dela que tinha deficiência mental.
Imediatamente, voltei e procurei esta cena. Mas o que eu me lembrei sobre aquela da tarde, era que estávamos jogando bola e este menino com deficiência estava nos atrapalhando e o tirávamos do nosso campinho, abrando ele por trás e o levando para fora. Em um determinado momento, notamos que nossos pintos ficaram duros e achamos bem engraçado. E eu nunca imaginei que esta minha observação sobre o meu corpo fosse me causar tantas chagas em meu corpo e em minha alma que não curariam tão cedo. Eu só tinha 7 anos, só 7 anos.....Agora com 48 e tudo isto volta com força total e de uma forma insuportavelmente dolorosa e transformadora.
E sua música está me ajudando a compreender as escolhas desta criança que refletem negativamente no adulto de hoje. Esta criança “startou” a criação dos meus monstros, para que ela pudesse sobreviver com todo aquela culpa. Hoje, com sua música, posso entender esta criança e dizer a ela o que é necessário para quem ela vai ser.... Mas esta questão será uma outra história..... Muito obrigado por me ajudar a resgatar e tratar desta criança tão doente e apavorada que precisava apenas de um cafuné e um abraço. Continue iluminando nossas vidas com sua voz e orações cantadas. Você é a voz de Deus!!!
Com Re-Amor, Simon!!





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