A reconstrução da auto-imagem - Part #01 (Definições ou Re-definições)
- Simon Jaques & Blue

- 5 de dez. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: há 2 horas

O John esta semana, me surpreendeu quando me enviou duas músicas. A melhor fala de um amor que surgiu bem devagar e quando se deu conta já estava totalmente envolvida. Um amor que chega de mansinho, quase imperceptível, mas quando notamos, já tomou conta do nosso coração. Não fala sobre dominação, mas sobre posse de uma posição, de um cargo, de um posto: o amante, o ser amado definitivo, eterno enquanto dure.
Eu tenho muita dificuldade de em notar estas nuanças quando eu estou entrando na vida das pessoas. Eu me acho muito intenso, forte, determinado. Mas de alguma forma, este meu jeito bruto de ser, faz com que o meu interlocutor me veja presente em sua vida com o tempo. Não no momento do encontro, como funciona comigo, mas o tempo mostrará para o outro o quanto eu me tornei importante para ele. Esta declaração do John, me deixou pensativo, reflexivo, onde comecei a ponderar se o futuro elaborado por mim no início de um relacionamento é realmente saudável ou tóxico.
Mesmo em meus relacionamentos heteros, eu sempre empossei o outro como meu amante definitivo. Já sabia como seria o pedido de namoro, como seria nosso noivado e o casamento só faltava definir o local, pois as cores, flores, roupas, tudo já estava muito bem definido por mim. E com o tempo, esta minha visão do relacionamento começava a entrar em conflito (para mim) com a realidade e meu tesão por aquela relação despencava, a libido da relação quase se extingue. Isto porque eu já vivi todo o relacionamento no início e não deu tempo para namorar a relação.
Com esta música, o John me mostrou que a relação pode ser construída de outra forma, mais devagar, mais lenta, com tempo e como o tempo. Por várias vezes, falei para o Antonio (meu terapeuta) que o John não era o meu príncipe encantado no cavalo branco, que nossas diferenças eram muito gritantes, idade, cunho social, nível cultural, objetivos de vida, atuação na vida. Não que eu meu modo era melhor que o dele, ou vice-versa, mas que estes setores de nossas vidas não conversavam e provavelmente, teríamos muitos conflitos lá na frente. O que eu nunca pensei foi que ele chegaria de mansinho, devagar, com o tempo ocupar um cargo que sempre esteve vago em minha vida: o de amante, de meu amor, de meu companheiro.
Pela primeira vez, eu percebi que viver um amor está além de meus delírios solitários, de minha vida perfeita em meu mundo de isolamento, fora deste cárcere que eu mesmo crio para me proteger, me esconder, me camuflar. Porém, eu estou sempre sozinho e sem sentir uma pele contra a minha, um cheiro que me leva às nuvens, uma boca que me faz desejar um beijo eterno, uma mão que completa o meu corpo em cada pedaço que ela alisa. O John não é nada parecido comigo e por isto, me completa emocionalmente. Por não ser o meu reflexo, por não ser eu, me faz ver que o outro tem um lugar bem específico e que eu não posso mais preencher este posto, mas sempre tentei e sem sucesso algum. Meu curriculum não tem as habilidades necessárias para este cargo e que preciso confiar em alguém para preenchê-lo.
Pode não ser o John, mas até agora ele está executando, de forma razoável, as atividades deste posto. A pele dele faz a minha sentir que está viva, que pulsa, que existe. A boca tem o melhor beijo que já tive em toda a minha vida, nossos lábios se encaixam com perfeição e com um sabor vida viva. As mãos dele ativam cada célula do meu corpo ao me alisar, fazendo meu corpo se arrepiar todo. Eu NUNCA havia sentido algo assim. Não por ser um relacionamento gay, pois já saí com outros caras e não senti um décimo. Mas acho, eu disse acho, que o John, bem devagar, se transformou em meu príncipe e mesmo sem cavalo, ele merece uma promoção e reconhecimento que o mínimo que ele me entrega, emocionalmente falando, se transforma em um grande passo em minhas emoções. Agora, eu preciso entender o que tudo isto representa em minha vida. É amor? O que é amor? Como identificar o amor? Eu amo o John? Ele é o meu Príncipe? Quem e como é o meu Príncipe? Ele é o que eu quero? O que eu quero? O que eu preciso...? Mas estas questões serão uma outra história.....
Com Re-Amor, Simon!!





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